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quinta-feira, 3 de julho de 2008

Yoga Sutras de Patânjali

Patânjali: concepção artística



Tradução do Apendix F do livro "Yoga Philosophy of Patanjali ", de Swami Hariharananda Aranya, publicado por 'Calcutta University Press'


Yoga Sutras, a Coleção dos Aforismos Yogues


- Livro I -

Samadhi-Pada: Sobre o Êxtase ou Concentração

1. Iniciamos agora a exposição do Yoga.

2. Yoga é a restrição das modificações da mente.

3. Quando o observador permanece nele mesmo.

4. Em outros momentos, o observador parece assumir a forma da modificação mental.

5. Elas (as modificações) têm cinco variedades, das quais algumas são 'Klista' e o resto 'Aklista'.

6. (São elas) Pramana, Viparyaya, Vikalpa, sono sem sonhos e recordação.

7. Destas, a percepção, inferência e testemunho (comunicação verbal) constituem as Pramanas.

8. Viparyaya ou ilusão é o conhecimento falso formado a partir de um objeto como se ele fosse outro.

9. A modificação chamada 'Vikalpa' é baseada na cognição verbal, com relação a uma coisa que não existe. (É um tipo de conhecimento útil que advém do significado da palavra mas que não tem uma realidade correspondente).

10. Sono sem sonho é a modificação mental produzida pela condição de inércia como o estado de vacuidade ou negação (do despertar e do adormecer).

11. Recordação é a modificação mental causada pela reprodução da impressão prévia de um objeto, sem adicionar nada de outras fontes.

12. Pela prática e o desapego isso pode ser restringido.

13. O esforço para adquirir Sthiti ou um estado tranquilo da mente, desprovido de flutuações, é chamado prática.

14. Esta prática, quando continuada por um longo tempo, sem interrupção e com devoção, torna-se firme em seus fundamentos.

15. Quando a mente perde todos os desejos por objetos vistos ou descritos nas escrituras, ela adquire um estado de absoluto não desejo que é chamado desapego.

16. Indiferença para com as Gunas, ou princípios constituintes, alcançada através do conhecimento da natureza de Purusha, é chamado Paravaiaragya (desapego supremo).

17. Quando a concentração é conseguida com a ajuda de Vitarka, Vichara, Ananda e Asmita, é chamada Samprajnata-samadhi.

18. Asamprajnata-samadhi é o outro tipo de Samadhi que surge com a prática constante de Para-vairagya, que leva ao desaparecimento de todas as flutuações da mente, permanecendo apenas as impressões latentes.

19. Enquanto no caso de Videhas ou dos desincarnados e de Prakrtilayas ou dos que subsistem em seus constituintes elementares, é causada por ignorância que resulta em existência objetiva.

20. Outros (que seguem o caminho do esforço prescrito) adotam os meios da fé reverencial, energia, recordação repetida, concentração e conhecimento real (e assim alcançam Asamprajnata-samadhi).

21. Yogues com intenso ardor alcançam concentração e seus resultados, rapidamente.

22. De acordo com a aplicação do método, vagarosa, média ou rápida, mesmo entre os yogues que têm intenso ardor, existem diferenças.

23. Através de devoção especial a Isvara também (concentração torna-se eminente).

24. Isvara é um Purusha em particular, não afetado por aflição, ação, resultado das ações ou as impressões latentes que advém delas.

25. Nele, a semente da onisciência alcançou seu desenvolvimento maior, não havendo nada mais a transcender.

26. Ele é o professor dos primeiros professores porque com ele não existe limite de tempo.

27. A palavra sagrada que o designa é Pranava ou a sílaba OM.

28. Yogues a repetem e contemplam seu significado.

29. Disso vem a realização do ser individual e os obstáculos são resolvidos.

30. Doença, incompetência, dúvida, desilusão, pregriça, não- abstinência, concepção errônea, não-alcance de qualquer estado yogue ou instabilidade para permanecer num estado yogue, estas distrações da mente são os impedimentos.

31. Tristeza, falta de entusiasmo, inquietação, inspiração e expiração advém de distrações prévias.

32. Para restringir as distrações, a prática da concentração em um princípio único; deve ser feita.
33. A mente torna-se purificada pelo cultivo dos sentimentos de amizade, compaixão, boa-vontade e indiferença respectivamente a criaturas felizes, miseráveis, virtuosas ou pecaminosas.

34. Pela expiração e restrição da respiração, também a mente é acalmada.

35. O desenvolvimento de percepção objetiva chamada Visayavati também traz tranquilidade mental.

36. Ou pela percepção que é livre de tristeza e é radiante (estabilidade mental também é produzida).

37. Ou (contemplando) uma mente que é livre de desejos (a mente do devoto torna-se estável).

38. Ou tomando como objeto de meditação as imagens dos sonhos ou dos devaneios (a mente do yogue torna-se estável).

39. Ou contemplando qualquer coisa que o indivíduo queira (a mente torna-se estável).

40. Quando a mente desenvolve o poder de estabilizar-se nos objetos de menor tamanho, assim como nos maiores, então a mente está sobre controle.

41. Quando as flutuações da mente são enfraquecidas, a mente aparenta tomar as formas do objeto da meditação - seja ele o que conhece (Grahita), o instrumento de cognição (Grahana) ou o objeto conhecido (Grahya) - como uma jóia transparente, e esta identificação é chamada Samapatti ou absorção.

42. A absorção na qual existe confusão entre a palavra, seu significado (isto é, o objeto) e seu conhecimento, é conhecida como Savitarka Samapatti.

43. Quando a memória é purificada, a mente parece estar desprovida de sua própria natureza (isto é, da consciência refletiva) e somente o objeto (o qual está contemplando) permanece iluminado. Este tipo de abs orção é chamada Nirvitarka Samapatti.

44. Através disso, as absorções Savichara e Nirvichara, cujos objetos são sutis, são também explicadas.

45. Sutileza pertencente aos objetos, culmina em A-linga ou o imanifesto.

46. Estes são os únicos tipos de concentração objetiva.

47. Ganhando proficiência em Nirvichara, pureza nos intrumentos internos de cognição é desenvolvida.

48. O conhecimento ganho neste estado é chamado Rtambhara (Preenchido de Verdade).

49 Este conhecimento é diferente daquele derivado do testimunho ou da inferência, porque relaciona-se às particularidades dos objetos.

50. A impressão latente nascida de tal conhecimento é oposta à formação de outras impressões latentes.

51. Pela restrição disso também (por conta da eliminação das impressões latentes de Samprajnana), acontece a concentração sem-objeto, através da supressão de todas as modificações.


- Livro II -

Sadahana-Pada: Sobre a Via ou Prática

1. Tapas (austeridade ou vigorosa auto-disciplina - mental, moral e física), Svadhyaya (repetição de Mantras sagrados ou o estudo da literatura sagrada) e Isvara-pranidhana (completa rendição a Deus) são Kriya Yoga (Yoga em forma de ação).

2. Este Kriya-Yoga (deve ser praticado) para gerar o Samadhi e minimizar as Klesas.

3. Avidya (concepção errônea sobre a natureza real das coisas), Asmita (egoismo), Raga (apego), Dvesa (aversão) e Abhinivesa (medo da morte) são as cinco Klesas (aflições).

4. Avidya é o campo de crescimento das outras, sejam elas dormentes, atenuadas, interrompidas ou ativas.

5. Avidya consiste em considerar os objetos impermanentes como permanentes, impuros como puros; miséria como felicidade e o não-ser como ser.

6. Asmita é equivalente à identificação de Purusha ou Consciência Pura com Buddhi.

7. Apego é esta (modificação) que segue a lembrança do prazer.

8. Aversão é esta (modificação) que resulta da miséria.

9. Tanto no ignorante quanto no culto, o medo, firmemente estabelecido, da aniquilação, é a aflição chamada Abhinivesa.

10, As sutis klesas são abandonadas (isto é, destruidas) cessando-se a produtividade (isto é, desaparecendo) da mente.

11. Seus meios de subsistência ou seus estados densos são evitáveis pela meditação.

12. Karmasaya, ou a impressão latente da ação baseada nas aflições, torna-se ativa nessa vida ou na vida por vir.

13. Na medida em que as Klesas permanecem na raiz, karmasaya produz três consequências nas formas de nascimento, tempo de vida e experiência.

14. Por razão da virtude e do vício, essas (nascimento, período e experiência) produzem experiências prazerosas ou dolorosas.

15. A pessoa que discrimina, apreende (por análise e antecipação) todos os objetos mundanos como marcados pela tristeza, porque eles causam sofrimento como consequência, tanto nas suas experiências aflitivas, quanto em suas latências e também por causa da natureza contrária das Gunas (que produzem mudanças a todo momento).

16. (É por isso que) a dor que está por vir deve ser evitada.

17. Unindo o observador ou sujeito com o observado ou objeto: é a causa disso que deve ser evitado.

18. O objeto ou o que é passível de conhecimento é por natureza sensível, mutável e inerte. Existe na forma dos elementos e dos órgãos, e servem ao propósito da experiência e emancipação.

19. Diversificada (Visesa), não-diversificada (Avisesa), indicador-somente (Linga-matra), e aquilo que não tem indicador (Alinga), são os estados das Gunas.

20. O Observador é o conhecedor absoluto. Apesar de puro, modificações (de Buddhi) são testemunhadas por ele como um espectador.

21. Servir como um campo objetivo para Purusha, é a essencia ou natureza dos objetos conhecíveis.

22. Apesar de deixar de existir em relação àquele que preencheu seu propósito, os objetos conhecíveis não deixam de existir por serem úteis para outros.

23. Associação é o meio de realização da verdadeira natureza do objeto do Conhecedor e do Possuidor, o Conhecedor (isto é, o tipo de associação que contribui para a realização do observador e do observado é esta conexão).

24. (A associação tem) Avidya ou ignorância como sua causa.

25. A ausência da associação que advém da falta dela (avidya) é liberdade, e este é o estado de liberação do observador.

26. Conhecimento discriminativo, claro, distinto (desimpedido) é o meio para a liberação.

27. Sete tipos de insight vêm ao que desenvolveu a iluminação discriminativa.

28. Através da prática dos diferentes acessórios do Yoga, quando as impurezas são destruidas, advém a iluminação, culminando na iluminação discriminativa.

29. Yama (restrição), Niyama (observância), Asana (postura), Pranayama (regulação da respiração), Pratiahara (restrição dos sentidos), Dharana (fixação), Dhyana (meditaç& atilde;o) e Samadhi (perfeita concentração), são os oito meios de se alcançar o yoga.

30. Ahimsa (não-violência), Satya (verdade), Asteya (abster-se do roubo), Brahmacharya (continência) e Aparigraha (abster-se da avareza), são as cinco Yamas (formas de restrição).

31. Estas (as restrições), no entanto, são um grande voto quando tornam-se universais, não sendo restringidas por qualquer consideração de classe, lugar, tempo ou conceito de dever.

32. Pureza, contentamento, austeridade (disciplina mental e física), svadhyaya (estudo das escrituras e recitação de mantras) e devoção a Isvara, são as Niyamas (observâncias).

33. Quando estas restrições e observâncias são inibidas por pensamentos perversos, o oposto deve ser pensado.

34. Ações que advém de pensamentos perversos, como injúria etc, são realizadas pela própria pessoa, por outras ou aprovadas; são realizadas tanto pela raiva, quanto pela cobiça ou pela desilusão; e podem ser fracas moderadas ou intensas. Saber que são causadas por uma miséria e ignorância infinitas, é um pensamento-contrário.

35. Na medida em que o yogue se torna estabelecido na não-injúria, todos os seres que se aproximam (do yogue) deixam de ser hostis.

36. Quando a maneira de ser é verdadeira, as palavras (do yogue) adquirem o poder de fazerem-se frutíferas.

37. Quando o não-roubo é estabelecido, todas as jóias se apresentam.

38. Quando continência é estabelecida, Virya é adquirida.

39. Atingindo perfeição nas Yamas, advém conhecimento da existência passada e futura.

40. Da prática da purificação, desapego com relação ao próprio corpo é desenvolvido, e portanto o desapego se estende a outros corpos.

41. Purificação da mente, setimentos agradáveis, concentração, subjugação dos sentidos e abilidade para a auto-realização são adquiridas.

42. A partir do contentamento, felicidade transcendente é ganha.

43. Pensamentos de destruição das impurezas, prática de austeridades gera perfeição do corpo e dos órgãos.

44. Do estudo e repetição de Mantras, comunhão com a divindade desejada é estabelecida.

45. Da devoção a Deus, Samadhi é alcançado.

46. Uma forma agradável e pausada (de estar) é Asana (postura yogue).

47. Pelo relaxamento do esforço e meditação no infinito (asanas são aperfeiçoadas).

48. Disso vem a imunidade com relação a Dvandvas ou condições opostas.

49. Esta (asana) tendo sido aperfeiçoada, regulação do fluxo da inspiração e expiração é pranayama (controle da respiração).

50. Este (pranayama) tem uma operação externa (Vahya-vrtti), operação interna (Abhyantara-vrtti) e supressão (Stambha- vrtti). Isto ainda, quando observado de acordo com espaço, tempo e número torna-se lo ngo e sutil.

51. O quarto pranyama trnscende operações internas e externas.

52. Através disso, o véu sobre a manifestação (do conhecimento) é rarefeito.

53, (Então) a mente adquire condições para Dharana.

54. Quando separados de seus objetos correspondentes, os órgãos seguem a natureza da mente (no momento), isto é chamado Pratyahara (restringir os órgãos).

55. Isto gera supremo controle dos órgãos.


- Livro III -

Vibhuti-Pada: Poderes Sobrenaturais


1. Dharana é a fixação da mente (Chitta) em um ponto particular no espaço.

2. Nela (Dharana) o fluxo contínuo de modificação mental similar é chamado Dhyana ou meditação.

3. Quando o objeto da meditação sozinho brilha na mente, como que desprovido até mesmo do pensamento do'Eu' (que está meditando), este estado é chamado Samadhi ou concentração.

4. Os três juntos no mesmo objeto é chamado Samyama.

5. Dominando isto (Samyama) a luz do conhecimento (Prajna) emerge.

6. Ela (Samyama) deve ser aplicada aos estágios (da prática).

7. Estas três práticas são mais associadas do que as mencionadas anteriormente.

8. Isso também (deve ser visto) como externo com relação a Nirvija ou concentração sem semente.

9. Supressão das latências das flutuações e aparecimento das latências do estado de pausa, acontecendo a cada momento de ausência do estado de pausa na mesma mente, é a mudança do estado de pausa da mente.

10. Continuidade da mente tranquila (no estado de pausa) é assegurado por suas impressões latentes.

11. Diminuição da atenção voltada para tudo e desenvolvimento da concentração (onepointedness) é chamado Samadhi-parinama, ou mutação da mente concentrada.

12. Lá (em Samadhi) ainda (no estado de concentração) as modificações passadas e presentes sendo similares é Ekagrata- parinama, ou mutação do estado estável da mente.

13. Assim explica-se as três mudanças, ou seja, dos atributos essenciais ou características, das características temporais, e dos estados das Bhutas e das Indriyas (isto é, todos os fenômenos conhecíveis).

14. Aquilo que continua a sua existência, através das várias características, nomeadamente: o inativo, isto é, passado; o emergente, isto é, presente; o imanifesto, (mas que permanece como força potente), isto é, futuro, é o substrato (ou objeto caracterizado).

15. Mudança de sequência (das características) é a causa das diferênças mutativas.

16. Conhecimento do passado e do futuro pode advir de Samyama sobre as três Parinamas (mudanças).

17. Palavra, objeto implicado, e idéia correspondente, produz uma impressão unificada. Se Samyama for praticada em cada um separadamente, conhecimento do significado dos sons produzidos por todos os seres, pode ser adquirido.

18 Pela realização das impressões latentes, conhecimento dos nascimentos prévios é adquirido.

19. (Pela prática de Samyama) em noções, conhecimento de outras mentes é desenvolvido.

20. O suporte (ou base) da noção não se torna conhecido, porque este não é objeto de observação (do yogue).

21. Quando a capacidade de percepção do corpo é suprimida pela prática de Samyama em seu caracter visual, desaparecimento do corpo é efetivado, por ficar ele além da esferea de percepção do olho.

22. Karma pode ser rápido ou lento em sua frutificação. Pela prática de Samyama no Karma, conhecimento da morte pode ser adquirido.

23. Através de Samyama sobre a amizade, e outras virtudes similares, obtem-se força.

24. (Pela prática de Samyama) na força (física), a força de elefantes pode ser adquirida, e mais.

25. Aplicando a luz efulgente da percepção superior (Jyotismati), conhecimento dos objetos sutis, ou coisas invisíveis ou colocadas a grande distância, pode ser adquirido.

26. (Praticando Samyama) sobre o sol (o ponto no corpo conhecido como a entrada solar), o conhecimento das regiões cósmicas é adquirido.

27. (Pela prática de Samyama) sobre a lua (a entrada lunar no corpo), conhecimento do arranjo entre as estrelas é adquirido.

28. (Pela prática de Samyama) na estrela Polar, o movimento das estrelas é conhecido.

29. (Pela prática de Samyama) no plexo do umbigo, advém conhecimento da composição do corpo.

30. (Praticando Samyama) na traquéia, fome e sede são restringidas.

31. Calma é alcançada por Samyama no tubo bronquial.

32. (Pela prática de Samyama) na luz coronal, Siddhas podem ser vistos.

33. Do conhecimento denominado Pratibha (intuição), tudo torna-se conhecido.

34. (Pela prática de Samyama) no coração, conhecimento da mente é adquirido.

35. Experiência (de prazer ou dor), vem da concepção que não distingue entre duas entidades extremamente diferentes: Buddhisattva e Purusha. Tal experiência existe para um outro (isto é, Purusha). Esta é a razão de através de Samyama em Purusha (que observa todas as experências e também sua completa cessassão) conhecimento com relação a Purusha ser adquirido.

36. Portanto (do conhecimento de Purusha), advém Pratibha (intuição), Sravana (poder sobrenatural de ouvir), Vedana (poder sobrenatural de tocar), Adarsa (poder sobrenatural de ver), Asvada (poder sobrenatural gustativo) e Varta (p oder sobrenatural de cheirar).

37. Eles (estes poderes) são impedimentos ao Samadhi, mas são (vistos como) aquisições no estado normal-mutante da mente.

38. Quando as causas do aprisionamento são enfraquecidas, e os movimentos da mente conhecidos, a mente pode entrar em outro corpo.

39. Conquistando a força vital (da vida) chamada Udana, a possibilidade de imersão em água ou lama e envolvimentos dolorosos, são evitados, e a saida do corpo pela vontade é assegurada.

40. Conquistando a força vital chamada Samana, efulgência é adquirida.

41. Através de Samyama na relação entre Akasa e o poder de ouvir, capacidade divina de ouvir é adquirida.

42. Através de Samyama na relação entre o corpo e Akasa, e pela concentração na leveza do algodão ou da lã, passagem através do céu é assegurada.

43. Quando a concepção inimaginável pode ser mantida fora, isto é, não conectada com o corpo, é chamada Mahavideha ou a grande desencarnação. Através de Samyama nisso, o véu que cobre a iluminação (de Buddhisattva) é removido.

44. Através de Samyama no denso, no caracter essencial, no sutil, a inerência e a objetividade, que são as cinco formas de Bhutas ou elementos, maestria sobre Bhutas é conseguida.

45. Então desenvolve-se o poder de minimização assim como outras aquisições corpóreas. Deixa de existir também, resistência a suas características.

46. Perfeição do corpo consiste em beleza, graça, força e firmeza adamantinas.

47. Através de Samyama na receptividade, caracter essencial, sentido de Eu, qualidade inerente e objetividade dos cinco sentidos, maestria sobre eles é obtida.

48. Então advém poderes de movimentos rápidos da mente, ação dos órgãos independente do corpo e maestria sobre Pradhana, a causa primordial.

49. Para aquele estabelecido no discernimento entre Buddhi e Purusha, vem a supremacia sobre todos os seres assim como onisciência.

50. Através da renunciação mesmo disto (conquista de Visoka), vem a liberação em consequência da destruição das sementes do mal.

51. Quando convidado pelos seres celestiais, este convite não deve ser aceito, nem deve ser causa de vaidade, pois envolve a possibilidade de consequências indesejáveis.

52. Conhecimento diferenciado do Ser e do não-Ser advém da prática de Samyama no momento e sua sequência.

53. Quando espécie, caracter temporal e posição de duas coisas diferentes são indiscerníveis, elas aparentam iguais, no entanto podem ser diferenciadas (por este conhecimento).

54. O conhecimento do discernimento é Taraka ou intuitivo, compreende todas as coisas e todo o tempo, e não tem sequência.

55. (Se o discernimento discriminativo secundário é adquirido ou não) quando igualdade é estabelecida entre Buddhisattva e Purusha na sua pureza, liberação acontece.


- Livro IV -

Kaivalya-Pada: Sobre o Ser-nEle-Mesmo ou Liberação


1. Poderes sobrenaturais advém com o nascimento, ou são consequidos através de ervas, encantamentos, austeridades ou concentração.

2. (A mutação do corpo e dos órgãos para aquele nascido em espécie diferente) acontece através do preenchimento de sua natureza inata.

3. Causas não colocam a natureza em movimento, somente a remoção de obstáculos acontece através delas. Isso é como um fazendeiro quebrando a barreira para permitir o fluxo de água. (Os obstáculos sendo removidos pelas causas, a natureza penetra por ela mesma).

4. Todas as mentes criadas são construidas a partir do sentido-de-Eu.

5. Uma mente (principal) direciona as várias mentes criadas na variedade de suas atividades.

6. Delas (mentes com poderes sobrenaturais) as obtidas através da meditação não têm impressões subliminares.

7. As ações do Yogui não são nem brancas, nem pretas, enquanto as ações dos outros são de três tipos.

8. Então (das três variedades de karma) manifestam-se as impressões subconscientes apropriadas às suas consequências.

9. Em função da semelhança entre a memória e suas impressões latentes correspondentes, as impressões subconscientes dos sentimentos aparecem simultaneamente, mesmo quando são separadas por nascimento, es paço e tempo.

10. Desejo de bem-estar sendo eterno, segue-se que a impressão subconsciente da qual ele advém deve ser sem começo.

11. Em função de serem mantidas juntas pela causa, resultado e objetos suportes, quando isso se ausenta, as Vasanas desaparecem.

12. O passado e o futuro são em realidade, presente, em suas formas fundamentais, tendo diferenças apenas nas características das formas tomadas em tempos diferentes.

13. Características, que são presentes em todos os tempos, são manifestas e sutis, e são compostas das três Gunas.

14. Em função da mutação coordenada das três Gunas, um objeto aparece como uma unidade.

15. Apesar da semelhança entre os objetos, em função de haverem mentes separadas, eles (os objetos e seu conhecimento) seguem caminhos diferentes, essa é a razão deles serem inteiramente diferentes.

16. Objeto não é dependente de uma mente, porque se assim fosse, o que aconteceria quando ele não fosse mais cognizado por esta mente?

17, Objetos externos são conhecidos ou desconhecidos para a mente na medida em que colorem a mente.

18. Em função da imutabilidade de Purusha, que é mestre da mente, as modificações da mente são sempre conhecidas ou manifestas.

19. Ela (a mente) não é auto-iluminada, sendo um objeto (conhecível).

20. Além disso, ambos (a mente e seus objetos) não podem ser cognizados
simultaneamente.

21. Se a mente fosse iluminada por uma outra mente, então haveria repetição ad infinitum de mentes iluminadas e inter-mistura de memória.

22. (Portanto) intransmissível, a Consciência metempirica, refletindo sobre Buddhi torna-se a causa da consciência de Buddhi.

23. A matéria mental sendo afetada pelo observador e o observado, torna-se toda-compreensiva.

24. Ela (a mente) apesar de marcada pelas inimeráveis impressões subconscientes, existe para um outro, desde que age conjuntamente.

25. Para aquele que conheceu a entidade distinta, isto é Purusha, a inquirição sobre a natureza do próprio Ser cessa.

26. (Então) a mente se inclina ao conhecimento discriminativo e naturalmente gravita em direção ao estado de liberação.

27. Através de suas ramificações (isto é, quebras no conhecimento discriminativo) surgem outras flutuações da mente devido às impressões latentes (residuais).

28. Têm-se dito que sua remoção (isto é, das flutuações) segue o mesmo processo da remoção das aflições.

29. Quando o indivíduo torna-se desinteressado mesmo pela onisciência, ele adquiri iluminação discriminativa perpétua de onde vem a concentração conhecida como Dharmamegha (nuvem que despeja virtude).

30. A partir disso, aflições e ações cessam.

31. Então, em função da infinitude do conhecimento, livre da cobertura das impurezas, os objetos conhecíveis aparentam poucos.

32. Depois de sua emergência (nuvem que despeja virtude) as Gunas tendo cumprido seu propósito, a sequência de suas mutações cessam.

33. O que pertence aos momentos e é indicado pelo término de uma mutação particular, é sequência.

34. O estado do ser-nele-mesmo, ou liberação, realiza-se quando as Gunas (tendo promovido experiência e liberação para Purusha) não têm mais propósito a cumprir e desaparecem em sua substância causal. Em outras palavras, é Consciência absoluta estabelecida em seu próprio Ser.



( comentários

O Yoga - conclusão

Pensa que é fácil?

Segundo a filosofia do Yoga, nós não vemos a realidade como ela é, mas como nós mesmos somos. E o que é a realidade? O célebre psicólogo-espiritualista hindu Richard Alpress, mais conhecido como "Ram Dass" diz que:

“Crescemos em um plano de existência que denominamos 'o real'. Identificamo-nos por inteiro com essa realidade, tida por absoluta, e descartamos as experiências não compatíveis com ela, como sonhos, alucinações, insanidade ou fantasia. O que Einstein demonstrou na física aplica-se também aos outros aspectos do cosmos: toda realidade é relativa. Cada realidade é verdadeira apenas dentro de certos limites; é apenas uma versão possível do modo de ser das coisas. Sempre há múltiplas versões da realidade. Despertar de uma realidade relativa é reconhecer-lhe a natureza relativa. A meditação é um instrumento para fazer precisamente isso.”

Os últimos três estágios do Yoga de Patânjali, - concentração, meditação e iluminação, - constituem a técnica tríplice chamada "samyama" e são conhecidos como "antaranga" (membros internos), em oposição aos anteriores "bahiranga" (externos), que regem a vida exterior. Isto porque no samyama não se precisa de nenhuma técnica fisiológica nova. A partir daqui, tudo acontece em nosso interior.

O Yoga tem como fundamento metafísico o Sankhya, filosofia dualista que concebe o Universo composto de dois princípios distintos: o princípio espiritual ('purusha', com múltiplas individualidades ou mônadas); e o princípio material (prakriti). Como toda escola derivada do hinduísmo, O Yoga ensina que o purusha está ligado à matéria e submetido a uma interminável roda de transmigração (sansara). A libertação (moksha) do espírito da matéria é a meta a ser alcançada.

O Sankhya e o Yoga são considerados dois aspectos de uma única disciplina. O Sankhya é a teoria; Yoga, a metodologia da libertação.


Patânjali: o codificador do Yoga

Praticamente nada se sabe sobre Patânjali, e alguns historiadores acreditam que seja uma figura totalmente ficcional. Um comentário de Vyasa (Krishna Dvapayana Vyasa, considerado autor do famoso poema épico hindu 'Mahabharata') o define como descendente de Santanu, mas existem diversas lendas sobre ele, como por exemplo que seria a encarnação do deus serpente Ananta, ou um ser meio homem meio serpente, ou ainda uma serpente que desejou ensinar o Yoga ao mundo e caiu dos céus nas palmas das mãos abertas de uma mulher, que por sua vez o chamou de "Patânjali": no sânscrito, "PAT" significa "cair" e "ÂNJALI", "mãos abertas" ou "oferenda"...

Tudo sobre esse personagem enigmático está envolto em mistério. Para começar, como já visto, a data em que ele teria vivido é fonte de grandes discussões. Há autores que afirmam que viveu no século IV aC e outros que pensam que tenha vivido entre os séculos II e VI dC. Tamanha discrepância se deve, em parte, ao costume que os autores daquela época tinham de atribuir a autoria dos seus próprios trabalhos a outros escritores já consagrados, para homenageá-los ou então para dar relevância à própria obra.

Considerando que ele escreveu em forma de sutras ou aforismos, pode se considerar (embora não com certeza) que tenha vivido entre os séculos IV e II aC, pois foi nesse período que esse estilo literário conheceu o seu auge. - O "Yoga Sutras" é considerado um dos exemplos mais perfeitos do estilo aforístico.

Uma das lendas populares da Índia sobre o nascimento do sábio conta que:

Vishnu estava descansando deitado na serpente de mil cabeças, Ádishesha, quando viu o deus Shiva dançando e ficou extasiado. Imediatamente seu corpo começou a vibrar tanto no ritmo da dança que acabou por provocar um enorme desconforto na serpente. No final da dança, Ádishesha perguntou ao deus o que tinha acontecido. Ao ouvir sobre a dança, o deus serpente ficou interessado em aprendê-la, para dançar para Vishnu. O deus ficou impressionado com a devoção da serpente e disse-lhe que Shiva iria abençoa-lo e que nasceria na Terra como alguém que iria abençoar a humanidade com sua sabedoria.

Ádishesha começou imediatamente a especular sobre quem seria sua mãe. Ao mesmo tempo, uma yoginí muito virtuosa, chamada Goñiká, estava procurando um filho a quem pudesse transmitir a sabedoria que o Yoga tinha lhe dado. Assim, ela se prostrou diante de Súrya, o deus sol, fazendo-lhe a única oferenda que conseguiu, um pouco de água, e lhe pedindo um filho. Vendo a cena, Ádishesha soube que aquela era a mãe que ele estava procurando. Quando Goñiká estava oferecendo a água ao sol, ficou maravilhada ao ver uma pequena serpente que se materializou em suas mãos e começou, momentos depois, a adquirir forma humana. Ádishesha se prostrou então diante da sua mãe e suplicou-lhe para que o aceitasse como filho. Aceitando-o, ela o chamou Pátañjali, que significa “aquele que caiu do céu durante a oferenda”.


Como encarnação de Ádishesha, Patânjali é representado com forma de naja, um ser metade homem, metade serpente, com quatro braços cujas mãos seguram os atributos de Vishnu: a concha e o disco e fazem o gesto da oferenda, "añjali mudrá", abençoando aqueles que se aproximam dele procurando as verdades do Yoga.

Sobre a obra de Patânjali existem tantas dúvidas quanto em relação à sua vida. Dançarinos fazem-lhe oferendas antes das apresentações, pois é tido como o patrono de algumas danças indianas. Alguns autores o identificam com o autor de um famoso tratado sobre Ayurveda, o célebre sistema de saúde indiano. Outros, o chamam "Patânjali o gramático", autor também do Mahábháshya, o grande comentário da gramática de Pánini, em uso ainda hoje. Essa obra redefiniu as regras do sânscrito, aumentando o vocabulário e transformando esta língua num instrumento mais preciso e efetivo, e ao mesmo tempo mais sutil e poético, capaz de expressar muitíssimos aspectos do pensamento humano.

Entretanto, as evidências apontam para o fato de que os autores destas obras sobre filosofia, medicina e gramática seriam pessoas diferentes, pois a distância no tempo entre elas é de vários séculos. Comparando o Mahábháshya com o Yoga Sútra se chega à conclusão de que ambas as obras são excelentes na argumentação e as estruturas lógicas que propõem em seus respectivos temas, mas isso não torna seus autores a mesma pessoa.

Todas as formas de Yoga que se praticam hoje em dia têm em Patânjali uma referência obrigatória. Assim sendo, outras três perguntas surgem neste quadro: foi Patânjali de fato o autor do Yoga Sútra? Em caso afirmativo, ele fez alguma contribuição original ao Yoga ou foi apenas o compilador e o sistematizador das técnicas que se usavam em seu tempo? E teria ele feito parte de um "sampradaya", uma linhagem tradicional, ou teria sido um reformador?

Quanto a ver este autor como um compilador, temos as duas seguintes situações: por um lado, o "Nirodha Samhitá," shástra atribuído a Hiranyagarbha, tido como patrono do Yoga, é chamado com freqüência "Yogánushasanam" ou o "Ensinamento do Yoga", exatamente as palavras com as quais Patânjali inicia sua obra.

Segundo uma obra chamada Ahirbudhnya, Hiranyagarbha revelou o Yoga em duas escrituras: o "Nirodha Samhitá" e o "Karma Samhitá". E Patânjali usa o mesmo termo, ‘nirodha’, para definir o Yoga no seu segundo aforismo.

Se ele fez alguma contribuição original ao Yoga não sabemos, mas com certeza podemos afirmar que citou fontes anteriores a ele. Fontes essas hoje em dia perdidas.

A maior controvérsia diz respeito ao quarto capítulo dos Sútras. - O estilo, o conteúdo e a extensão deste páda são diferentes do resto da obra. - Nele se repetem assuntos já abordados nos capítulos anteriores. Nos três primeiros, o estilo em que se desenvolvem os temas é acessível e não dogmático. No quarto, entretanto, esse estilo muda. A voz que aqui fala, o faz desde o ponto de vista de alguém que viveu algo, a diferença do resto da obra, onde se ouve falar alguém que ainda está procurando.

Outro ponto obscuro é que o terceiro capítulo conclui com a palavra "iti", que significa ‘fim’ a maneira tradicional daquela época e lugar para se encerrar um texto. Aqueles que defendem a unidade dos sutras como eles estão hoje afirmam que o quarto capítulo é coerente com os outros três, enquanto que os críticos desta posição acham muito estranho ter uma obra com dois finais e consideram o último capítulo uma interpolação posterior.

Sobre as poucas certezas que temos, podemos dizer, por exemplo, que algo chamado Yoga existiu com certeza muito antes do tempo em que Patânjali viveu. Porém, as incertezas históricas em relação ao autor dos Yoga Sutras são de pouca importância para quem deseja alcançar aquilo sobre o que a obra fala: tranqüilidade da mente e realização do espírito. Embora possamos questionar a autoria e a origem desta obra, ela é coerente e, como guia prático para a realização pessoal, se sustenta totalmente por si própria.


"Yoga Sutras": Referência absoluta para o estudo do Yoga

Sutra significa literalmente "fio". "Yoga Sutras de Patânjali" é um livro com 195 frases concebidas para serem fáceis de se memorizar. Como visto, dentro das comunidades yogues, muitos crêem que Patânjali foi apenas um compilador, e que antes dele o trabalho já existia: os sutras seriam memorizados e transmitidos de professor para aluno.

Os sutras no texto estão divididos em quatro livros: o Samadhi Pada, o Sadhana Pada, o Vibhuti Pada, e o Kaivalya Pada.

O livro Samadhi Pada contém sutras que são considerados os mais fundamentais para o Yoga. Ele enfatiza que o Yoga é e a capacidade de se dominar os próprios sentimentos e pensamentos.

No Sadhana Pada há muito sobre prática, que é exatamento o que a palavra sadhana significa (prática). Este capítulo é onde Kriya Yoga e os oito membros do Yoga apareceram pela primeira vez na História conhecida.

Vibhuti Pada: vibhuti pode ser traduzido como "poder". Os deste livro são para descrever e ajudar o yogue a atingir a Plena Consciência.

Segundo Patânjali, uma das coisas que pode acontecer quando você começa a meditar com frequência é a aparição de certos "poderes" psíquicos chamados siddhis. Um estado mais elevado de consciência desencadearia os siddhis, que viriam sozinhos com a prática, mas não seriam importantes. - Importante é o desenvolvimento espiritual interior individual. - Então, o Yoga ensina que, se poderes específicos surgirem ao longo do caminho, não deveríamos nos importar muito ou dar atenção a isso. Patânjali adverte sobre o perigo que se esconde na tentação de usar os siddhis, pois quando alguém os obtém e começa a utilizá-los em proveito próprio, esquece o objetivo real do Yoga. É como se você pegasse uma chave de fenda para fazer algum conserto, mas, ao invés de trabalhar, ficasse olhando extasiado para a forma da chave em si e esquecesse para que a pegou.

Patânjali dedica um capítulo inteiro dos Yoga Sútras aos siddhis, porque você precisa saber o que é inútil também. Se ele não descrevesse os poderes, um a um, o praticante poderia se perder. Tudo o que você não entende lhe dá medo. Mas se você souber exatamente o que é um siddhi, quando ele se manifestar, você não entrará em pânico nem perderá o controle da situação.

Finalmente, o Kaivalya Pada, que significa "isolamento". Este livro trata da liberação final da alma, meta e finalidade última de todo yogue.


“O samádhi está próximo para os que o anseiam com intensidade. Os frutos desse anseio serão proporcionais à sua intensidade.” - Yoga Sutra de Patânjali I:21,22.


Fontes e bibliografia:
Profº Fred Peixoto
Yoga Sutras de Patânjali
Site Yoga.Pro
Vidya Yoga
Contém trechos extraídos do livro "Yoga Prático", de Pedro Kupfer



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segunda-feira, 5 de maio de 2008

Sistema de castas da Índia

O nefasto sistemas de castas da Índia teve sua origem em torno de 850 aC, embora as opiniões dos especialistas a respeito da data exata do seu estabelecimento estejam divididas. Sabe-se que surgiu com os árias, e a partir daí começou a se desenvolver e se enraizar na cultura do país...

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terça-feira, 6 de novembro de 2007

Hinduísmo ou Sanatana Dharma - conclusão

No Bhagavad Gita, Krishna se revela diante de Arjuna: "Eu Sou".

Os textos védicos antigos descreviam o Universo cercado de água. A explicação das divisões sociais dos arianos (ou árias = homens) era também encontrada nos Vedas: da cabeça do deus primordial saíram os brâmanes (casta social dominante), dos braços saíram os guerreiros, das pernas os produtores e dos pés os servos (os 'párias' = não-árias ou 'não-homens'). O mundo, conforme a concepção desta época, foi formado a partir da organização, por força divina, de um caos preexistente.

No sistema religioso hinduísta atual há uma série de ramificações, que geraram crenças e práticas diversas, assim como há muitos deuses e muitas seitas de diversas características. A ênfase está no que seria o modo correto do viver (Dharma). Os cultos hinduístas são realizados tanto em templos e congregações quanto podem ser domésticos.

A cerimônia mais comumente realizada é relativa à oração (puja). A palavra AUM (pronuncia-se 'ÔM'), representa a vibração original, uma vibração que transcende o início, o meio e o fim de todas as coisas, vinculando-se, desta maneira, à energia que emana da própria divindade. Os códigos sagrados do Hinduísmo são: os Vedas, consistindo em escrituras que incluem canções, hinos, aforismos, rezas e ensinamentos; o Smriti, escrituras tradicionais que incluem o Ramayana, o Mahabarata, e o Bhagavad Gita.

A religião dos hindus, basicamente, poderia ser descrita como a busca inata pelo divino dentro do Ser, a busca por encontrar a Verdade que nunca foi perdida de fato. Verdade buscada com fé que poderá tornar-se reconfortante luminosidade; independente da raça ou do credo professado. Na verdade, toda forma de existência, dos vegetais e animais até o homem, são sujeitos e objetos do eterno Dharma. Essa fé inata, então, é também conhecida por Arya/Dharma Nobre, Veda/Dharma do Conhecimento, Yoga/Dharma da União, e Dharma hindu ou simplesmente Dharma.


Os quatro objetivos na vida

Outro aspecto maior do Dharma Hindu, prática comum de todos os hinduístass é o "Purushartha", ou "Quatro Objetivos da Vida". Eles são Kama, Artha, Dharma e Moksha. É dito que todos os homens seguem o kama (prazer, físico ou emocional) e artha (poder, fama e riqueza), mas brevemente, com maturidade, eles aprendem a controlar estes desejos, com o Dharma, ou a harmonia moral presente em toda a natureza. O objetivo maior é infinito, cujo resultado é a absoluta felicidade, "Moksha" ou "Liberação" (também conhecida como Mukti, Samadhi ou Nirvana, entre outros) do Samsara, o ciclo da vida, morte, e da existência dual. Aí está, na minha opinião, o valor do hinduísmo. Ensinar que a satisfação dos desejos do ego nunca trará a felicidade ou a realização, e trazer instrumentos para amortecer este ego sempre tão agitado.


Os quatro estágios da vida humana

A vida humana também é vista como quatro "Ashramas" ('fases' ou 'estágios'). Eles são Brahmacharya, Grihasthya, Vanaprastha e Sanyasa. O primeiro quarto da vida, "Brahmacharya" (literalmente 'Pastar em Brahma') é passado em celibato, sobriedade e pura contemplação dos segredos da vida sob os cuidados
de um guru, solidificando o corpo e a mente para as responsabilidades da vida. Grihastya é o estágio do chefe de família, alternativamente conhecido como Samsara, no qual o indivíduo se casa para satisfazer Kama e Artha na vida conjugal e numa carreira profissional. Vanaprastha é o gradual desapego do mundo material, ostensivamente entregando seus deveres aos filhos e filhas, e passando mais tempo em contemplação da verdade, e em peregrinações santas. Finalmente, no Sanyasa, o individuo vai para a reclusão, geralmente em uma floresta, para encontrar Deus através da meditação yogica (eu já pratiquei - é muito agradável) e pacificamente libertar-se de seu corpo para uma próxima vida.


Purva Mimamsa

O principal objetivo do "Purva" ('cedo') ou da escola Mimamsa era estabelecer a autoridade dos Vedas. Consequentemente a valiosa contribuição desta escola ao hinduísmo foi a formulação das regras da interpretação védica. Seus adeptos acreditavam que a revelação deveria ser provada através da razão, e não aceita cegamente. Este método empírico e eminentemente sensível de aplicação religiosa é a chave para o Sanatana Dharma e foi especialmente desenvolvido por racionalistas como Adi Sankara e Swami Vivekananda. Numa oportunidade futura, como já disse, gostaria de me aprofundar mais nestes temas, muito ricos em informações úteis para o buscador espiritual.


A origem do monismo: Advaita Vedanta

Advaita literalmente significa "não dois"; isto é o que referimos como fundamentalmente monoteístico, ou sistema não dualístico, que enfatiza a unidade. Seu consolidador foi Shankara (788-820). Shankara expôs suas teorias baseadas amplamente nos ensinamentos dos Upanishads e de seu guru Gaudapada.

Através da análise da consciência experimental, ele expôs a natureza relativa do mundo e estabeleceu a realidade não dual ou Brahman no qual Atman (a alma individual) ou Brahman (a realidade última) são absolutamente identificadas. Não é meramente uma filosofia, mas um sistema consciente de éticas aplicadas e meditação, direcionadas a obténção da paz e compreensão da verdade. Adi Shankara acusou as casta e insignificantes rituais ritual como tolos, e em sua própria maneira carismática, suplicou aos verdadeiros devotos a meditarem no amor de Deus e alcançarem a verdade. Veja Advaita para mais informações.


Monismo qualificado: Vishistadvaita Vedanta

Ramanuja (1040 - 1137) foi o principal proponente do conceito de Sriman Narayana como Brahman, o supremo. Ele postulou que a realidade última possui três aspectos: Ishvara (Vishnu), cit (alma) e acit(matéria). Vishnu é a única realidade independente, enquanto mesmo a alma e o material são condicionadas e não podem subsistir por si só. Devido a esta qualificação da Realidade Ultima, o sistema de Ramanuja é conhecido como não dualístico.


Dualismo: Dvaita Vedanta

Aqui no ocidente, esta forma é pouco conhecida. De fato, a maioria dos ocidentais imagina que o hinduísmo seja uma crença homogênea num sistema rígido, e que todos os hinduístas adotem o não dualismo como filosofia de vida. Isto acontece porque praticamente todos os gurus e mestres indianos que se prestaram a disseminar a sua religião pelo resto do mundo eram da escola Advaita (não dual). Mas na verdade o sistema hindu se divide nestas duas grandes facções - a escola monista ou advaita, com suas próprias subdivisões, e a dvaita. Ramanuja, Madhva (1199 - 1278) identificou Deus com Vishnu, mas a sua visão da realidade era dualista, pois ele compreendeu uma diferenciação fundamental entre o Deus supremo e a alma individual, assim como ocorre nas religiões monoteístas. O sistema consequentemente foi denominado Dvaita (dualístico) Vedanta.


As escolas Bhakti

A Escola Devocional Bhakti tem seu nome derivado do termo hindu que evoca a idéia de "Amor prazeroso, abnegado e arrebatado de Deus", seja como Pai, Mãe, na figura dos seus filhos amados ou qualquer outra forma de relacionamento que encontre apelo no coração do devoto. A filosofia de Bhakti procura usufruto pleno da Divindade Universal através da forma pessoal, o que explica a proliferação de tantas divindades na Índia, freqüentemente refletindo as inclinações particulares de pequenas áreas ou grupos de pessoas. Vista como uma forma de Yoga ou união, ele preconiza a necessidade de se dissolver o ego em Deus, na medida em que a consciência do corpo e a mente limitada, como individualidade, seriam fatores contrários à realização espiritual. Essencialmente, é Deus que promove toda mudança, que é a fonte de todos os trabalhos, que age através do Amor e da Luz. O devoto transcende a ação do mundo e de todos os demônios das trevas, através da entrega total ao Amor de Deus. Esta é a modalidade do hinduísmo que eu mais admiro e da qual eu fiz parte por um longo tempo, nos templos Sahaja, ne escola Vidya, na convivência com grupos satsangha e também nos estudos de Krya Yoga.

Na verdade, os movimentos Bhakti rejuvenesceram o hinduísmo através da sua intensa expressão de fé e receptividade às necessidades emocionais e filosóficas da humanidade. Pode-se dizer corretamente que influenciaram a maior onda de mudança em orações e rituais Hindus desde tempos remotos. E também influenciaram os nossos costumes no lado ocidental do planeta. A mais popular forma de expressão de amor a Deus na tradição Hindu é através do puja, ou ritual de devoção, frequentemente utilizando o auxílio de murti (estátua) juntamente com canções ou recitação de orações meditacionais em forma de mantras. Canções Devocionais denominadas bhajan (escritas primeiramente nos séculos XIV-XVII), kirtan (elogio), e arti (uma forma filtrada do ritual de fogo Védico) são algumas vezes cantados juntamente com a realização do puja. Este sistema orgânico de devoção tenta auxiliar o Indivíduo a conectar-se com Deus através de meios simbolicos. Entretanto, é dito que bhakta, através de uma crescente conexão com Deus, é eventualmente capaz de evitar todas as formas externas e é inteiramente imerso na benção do indiferenciado amor a Verdade. Em outras palavras, se a busca é intensa e verdadeira, chega um momento em que as formas já não fazem tanta diferença, embora os gurus advirtam os alunos de que abandoná-las por completo seja sempre muito perigoso, porque o chamado do mundo e do ego não cessa nunca, até abandonarmos este mundo fenomênico.


Tantrismo

Se ao ouvir esta palavra você já pensa em sexo ou posições sexuais, você realmente não tem idéia do que o termo realmente significa. A palavra "Tantra" significa "Tratado" ou "Série Contínua ", e é aplicada a uma variedade de trabalhos místicos, ocultos, médicos e científicos bem como aqueles que agora consideramos como "tântricos". A maioria dos tantras foram escritos no final da Idade Média e surgiram da cosmologia Hindu e Yoga. Outro tema bem vasto, que merece um post só para ele.


Ahimsa e as vacas

É vital uma nota sobre o elemento "Ahimsa" no hinduísmo, para compreender a sociedade que se formou à volta de alguns dos seus princípios. Enquanto o jainismo, à medida que era praticado, certamente influenciava profundamente a sociedade indiana - que dizer da sua exortação ao estrito vegetarianismo "vegan" e da não-violência como Ahimsa - o termo primeiro apareceu nos Upanishads. Assim, uma influência internamente enraizada e externamente motivada levou ao desenvolvimento de um grande grupo de hindus que abraçaram o vegetarianismo numa tentativa de respeitar formas superiores de vida, restringindo a sua dieta a plantas e vegetais. Cerca de 30% da população Hindu atual, especialmente em comunidades ortodoxas no sul da Índia, em alguns estados do Norte como Gujarat e em vários enclaves Brahmin à volta do subcontinente, é rigorosamente vegetariana. Portanto, mesmo não sendo um dogma, o vegetarianismo é recomendado como sendo um estilo de vida "Sattwic" (purificador).

Os hindus que comem carne abstêm-se predominantemente de bife, e alguns evitam qualquer subproduto de origem animal, como cosméticos, cintos, sapatos, etc. Isto acontece provavelmente porque o largamente pastoral povo Védico e as subsequentes gerações de hindus ao longo dos séculos dependiam

tanto da vaca para todo o tipo de produtos lácteos, aragem dos campos e combustível para fertilizante, que o seu estatuto de "cuidadora" espontânea da humanidade cresceu ao ponto de ser identificada como uma figura quase maternal. Diz-se que Krishna é tanto "Govinda" (pastor de vacas) como "Gopala" (protector de vacas), e que o assistente de Shiva é Nandi, o touro. Com a força no vegetarianismo (que é habitualmente seguido em dias religiosos ou ocasiões especiais até por hindus não vegetarianos ) e a natureza sagrada da vaca, não admira que a maior parte das cidades santas e áreas na Índia tenham uma proibição sobre a venda de produtos de carne e haja um movimento entre os hindus para banir a matança de vacas não só em regiões específicas como em toda a Índia.


Formas de adoração: murtis e mantras

Ao contrário da crença popular, o hinduísmo prático não é necessariamente politeístico, embora também não seja estritamente monoteístico. A variedade de deuses e avatares que são adorados pelos Hindus são compreendidos como diferentes formas da Verdade Única, algumas vezes vistos como mais do que um mero deus. Acreditando na origem única como sem forma ('Nirguna Brahman' = 'Sem Atributos') ou como um Deus pessoal ('Saguna Brahman' = 'Com Atributos'), os hindus afirmam que a verdade única pode ser vista de forma variada por pessoas diferentes. O Hinduísmo encoraja seus devotos a descreverem e desenvolverem um relacionamento pessoal com sua "deidade pessoal" escolhida (ishta devata) na forma de deus ou deusa.

Enquanto alguns censos sustentam que os adoradores de uma forma ou outra de Vishnu (conhecido como vaishnavs) são 80% dos hindus e aqueles de Shiva (chamados Shaivaites) e Shakti compõem o restante dos 20%, tais estatísticas provavelmente são enganadoras. A Maioria dos Hindus adoram muitos deuses como expressões variadas do mesmo prisma da Verdade. Entre os mais populares estão Vishnu (como Krishna ou Rama), Shiva, Devi (a Mãe de muitas deidades femininas, como Lakshmi, Saraswati, Kali e Durga), Ganesh, Skanda e Hanuman.

A adoração das deidades é geralmente expressa através de fotografias ou imagens (murti) que são ditas não serem o próprio Deus mas condutos para a consciência dos devotos, marcas para a alma humana que significam a inefável e ilimitada natureza do amor e grandiosidade de Deus. Eles são símbolos do príncipio maior, representado mas nunca presumido ser o conceito da própria entidade.

Consequentemente, a maneira hindu de adoração de imagens é uma forma de iconolatria, na qual as imagens são venerados como supostos símbolos da divindade, opostos a idolatria, geralmente atribuída aos hindus.


Fontes e bibliografia:
Sociedade Internacional Gita (Gita Ashrama)
Arquivo Profº J Sarinho
"Hare Krsnas Spiritual Practice" (site 'Sampradava Sun Site')



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Hinduísmo ou Sanatana Dharma

Ganesh, deus da superação de obstáculos, entre outras coisas

O hinduísmo não é apenas uma religião, mas uma cultura. Trata-se de um conjunto de tradições (não somente religiosas) que se originaram na região do Vale do Indo principalmente no subcontinente indiano. O hinduísmo, na verdade, se compõe de uma grande intersecção de valores, filosofias e crenças, derivadas de diferentes povos e culturas, e é uma das mais antigas e elaboradas tradições culturais do mundo. Pode ser chamado de brahmanismo, pois é a cultura que se originou do povo ariano, de cultura brahmácharya (seguidores de Brahma, o Absoluto).

Para compreender o hinduísmo, é fundamental situá-lo historicamente. Por volta de 3000 aC, a Índia era habitada por povos que cultuavam o "Pai do Universo", uma espécie de fé monoteísta. Pouco depois, em 2500 aC, floresceu a civilização dravídica, no vale do rio Indo, região que hoje corresponde ao Paquistão e parte da Índia. Os drávidas eram adeptos de uma filosofia de louvor à natureza, de orientação matriarcal e baseada no princípio da não-violência. Porém, em 1500 aC, os arianos invadiram e dominaram aquela região, reduzindo os antigos drávidas à condição de "párias" - uma espécie de sub-classe social, que até hoje (embora o sistema de castas tenha se tornado oficialmente ilegal na Índia) permanece sendo alvo de forte e muitas vezes declarado preconceito.

Na primeira fase do Hinduísmo, que recebe o nome de Hinduísmo Védico, temos o culto aos deuses tribais. Dyaus, ou Dyaus-Pitar ('Deus do Céu', em sânscrito), era o Deus Supremo, consorte da Mãe Terra. Doador da chuva e da fertilidade, ele gerou todos os outros deuses. O Sol ('Surya'), a Lua ('Chandra') e a Aurora ('Heos') eram os deuses da luz. Divindades menores e locais são as árvores, as pedras, os rios e o fogo. A partir da influência ariana, o simbolismo de Dyaus passou por uma transformação e tornou-se Indra, jovem divindade que rege a guerra, a fertilidade e o firmamento. Indra representa os aspectos benevolentes da tempestade, em contraposição a Rudra, provável precursor do deus Shiva, o destruidor. Também nesse Período surgiram diversas outras divindades, inclusive Asura, representante das forças maléficas.

Na segunda fase do hinduísmo, que recebe o nome de Vedanta (fim dos Vedas) ou hinduísmo bramânico, ocorre a ascensão de Brahma, a divindade que simboliza a Alma Universal e representa a Força Criadora. Neste momento, surge a figura dos brâmanes, que compõem a casta sacerdotal da tradição hindu. Os rituais ganham uma série de componentes mágicos e elaboram-se idéias mais complexas acerca do Universo e da alma, e é nesse momento que surgem os conceitos de reencarnação e transmigração de almas.

O hinduísmo abrange várias crenças, práticas, filosofias e denominações, religiosas ou não. O Sámkhya (que significa número), por exemplo, é uma filosofia especulativa de caráter exato, naturalista. O Yoga é a principal vertente prática deste rico manancial cultural, e originalmente não havia relações com religião alguma. Foi somente por volta de VIII dC, com a grande difusão do Vedanta (filosofia espiritualista) pela Índia, promovida por Shânkara, que o Yoga adquiriu caráter religioso.

Muitos hindus acreditam num Espírito Supremo cósmico, mas o adoram sob muitas formas, representado por deidades individuais, como Vishnu, Shiva e Shakti, e é centrado sobre uma variedade de práticas que são vistas como meios para ajudar o indivíduo a experienciar a divindade.

O hinduísmo, como religião, é a terceira maior do mundo, com aproximadamente um bilhão de adeptos (censo de 2005), dos quais aproximadamente 890 milhões vivem na Índia. Outros países com grande população hindu são o Nepal, Bangladesh, África do Sul, Sri Lanka, Ilhas Maurício, Fiji, Guiana, Indonésia, Malásia, Estados Unidos e o Reino Unido.

A religião hinduísta é considerada uma das mais velhas ainda existentes no mundo. Não possui um único fundador e é baseado em vários textos religiosos desenvolvidos por séculos, que os hindus acreditam conter insights espirituais, e fornecem um guia prático para a vida religiosa. Entre tais textos, os antigos Vedas são normalmente considerados os de maior autoridade. As outras escrituras incluem os dezoito Puranas, e os épicos Mahabharata e Ramayana. O Bhagavad Gita ('Canção do Divino Mestre'), que está contido no grande livro sagrado Mahabharata, é uma doutrina amplamente estudada, que nos dá uma destilação dos princípios básicos dos Vedas. A íntegra do texto pode ser lida aqui.

O termo "hinduísmo" originalmente indicava uma região geográfica. Por esse motivo, alguns grupos indianos mais tradicionalistas defendem que a religião seria mais adequadamente chamada de "Sanatana Dharma", que significa "Religião Eterna".

A teologia do hinduismo se fundamenta no culto aos avatares da divindade suprema, que é Brahma. Particular destaque é dado à Trimurti - trindade constituída por Brahma, Shiva e Vishnu. Na trindade hindu, Brahma é o criador, Vishnu o preservador, e Shiva o destruidor. O trabalho de um não está completo no Universo sem o outro; pois tudo que conhecemos tem um princípio, uma certa continuidade e um fim. Mas apesar disso, o culto direto aos membros da Trimurti é relativamente raro. Em vez disso, costumam-se cultuar avatares mais específicos e próximos da realidade cultural e psicológica dos praticantes, Ganesh, o deus removedor de obstáculos e Krishna, avatar de Vishnu e personagem central do Bhagavad Gita.

Embora se afirme ter sido na cultura hinduísta que tiveram origem três outras importantes religiões - budismo, jainismo e sikhismo - alguns especialistas colocam o jainismo como ainda anterior ao bramanismo, que por sua vez originou o hinduísmo. Segundo esta linha de pensamento, o Budismo guardaria uma relação mais direta com o Jainismo. O Budismo, que na realidade é considerado uma heresia pelo hinduísmo, apesar de não ser rejeitado por ele.

O Yoga, que entra no Hinduísmo graças à célebre obra Yoga Sutras, de Patáñjali Sankhya-Yoga, ou mais precisamente (não tente ler isto de primeira), Sêshwarasámkhya-Brahmácharya Yoga, é uma disciplina naturalista e patriarcal, com uma tendência levemente teísta. É a responsável pelo surgimento do Yoga Clássico e sua adoção pelo hinduísmo. Para ler os Yoga Sutras de Patânjali na íntegra, clique aqui. O estágio anterior é denominado "Yoga Pré-Clássico" e possui características matriarcais e naturalistas. Consta ter surgido entre o povo drávida e ter sido criado por Shiva, que posteriormente entraria como divindade no hinduísmo.

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Essencialmente, o hiduísmo afirma que qualquer prática espiritual realizada com um coração reto diante de Deus, e seguida com fé, amor e persistência levará ao estado final de auto-realização. Portanto, o pensamento hindu encoraja a tolerância pelas diferentes crenças, já que sistemas temporários não podem se declarar como a única compreensão da Verdade Transcendental. Talvez o espírito do hinduísmo possa ser melhor compreendido nos "Rig Veda", uma das mais antigas escrituras religiosas do mundo:

"A verdade é única, embora os sábios a conheçam como muitas." - Rig Veda, Livro I, Hino CLXIV, Verso 46


A terceira fase do hinduísmo: No século 12, a Índia é invadida pelos muçulmanos, e grande parte de sua população é forçada à conversão. Aliás, até essa época, o termo hindu designava qualquer pessoa nascida na Índia - foi a partir do século 13 que ganhou a atual conotação religiosa, tornando-se sinônimo de "nativo não-convertido ao islamismo".

A influência muçulmana se faz sentir dentro da ritualística hindu, pois uma das características marcantes do Hinduísmo é sua capacidade de absorver novos elementos e agregá-los ao seu sistema de crenças. Isso também ocorreu quando, no século 18, o Cristianismo se inseriu no universo indiano, pela influência predominante dos colonizadores franceses.

Este Hinduísmo híbrido também se divide em várias correntes, cujos expoentes são gurus como Sri Ramakrishna (1834-86), Vivekananda (1863-1902) e Sri Aurobindo (1872-1950) - sem dúvida que pretendo voltar a falar de cada um deles. O que essas correntes têm em comum é a preocupação em estender o trabalho espiritual ao âmbito social, por meio do trabalho filantrópico e assistencial.

Também foi por força dessa nova fase que a malfadada organização social da Índia - em sistema de castas - começou a perder o sentido, pois já existia, como existe hoje, um clamor ético por igualdade e solidariedade.

O maior mestre do Hinduísmo moderno é Mahatma Gandhi (1869-1948 - outro assunto que pretendo abordar mais profundamente), conhecido no Ocidente como chefe político, mas venerado na Índia como guru espiritual. "Gandhiji", como era carinhosamente chamado, adepto da Ahimsa (o princípio da não-violência), apregoava a importância do homem exercer perfeito controle sobre si mesmo.

Ainda a crença predominante, o hinduísmo continua influenciando o modo de viver, a ordem social e os princípios éticos e filosóficos na Índia, como percebem os turistas que se embasbacam diariamente diante dos grandes engarrafamentos nas ruas das suas maiores cidades, provocados por alguma vaca sagrada que resolver se deitar preguiçosamente no meio da pista.


Fontes e bibliografia:
Profº J. Maurício Sarinho
Estudenet.com
Site Sanatana Dharma Central


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