quarta-feira, 16 de julho de 2008

Muitos candidatos a Messias

Continuação de "O palco é montado..."

Os judeus da Terra Santa, à época de Cristo, estavam divididos em várias seitas e subseitas.

Havia os saduceus, uma classe de abastados proprietários de terras, que, para desprazer de seus compatriotas, colaboravam de forma insidiosa com os romanos.

Havia os fariseus, um grupo progressista que introduziu muitas reformas no judaísmo e que, apesar de seu retrato nos Evangelhos, se colocava em uma posição teimosa, embora passiva, a Roma.

Havia os essênios, uma seita austera, misticamente orientada, cujos ensinamentos eram mais prevalentes e influentes do que é geralmente admitido ou suposto.

Além desses, entre as seitas e subseitas menos conhecidas, havia os nazoritas, dos quais Sansão, séculos antes, tinha sido membro;

Os nazorianos ou nazarenos, um termo que parece ter sido aplicado a Jesus e seus seguidores. - Realmente, a versão original grega do Novo Testamento se refere a Jesus, como "O Nazareno", expressão muitas vezes traduzida como "Jesus de Nazaré".

Um dos grupos mais influentes era o dos zelotes, uma organização revolucionária altamente militante, criada em 6 dC por um rabino fariseu conhecido como Judas da Galiléia. Esse grupo surgiu no momento em que Roma assumiu o controle direto da Judéia. - O grupo Zelote era composto, ao que parece, também por fasiseus e essênios. - Os zelotes não eram propriamente uma seita. Eram membros atuantes de um movimento com afiliados de várias seitas.

***

A vida de Jesus se passou nos primeiros 35 anos de um turbilhão social, religioso e político que se estendeu por 140 anos. Toda essa tribulação e sofrimento geraram no povo judeu expectativas utópicas e inevitáveis. A principal delas era a esperança de um Messias que libertasse o seu povo do terrível jugo romano.

O termo "Messias", que, como visto significa "abençoado" comumente se referia a um rei. Quando Davi foi abençoado e ungido como rei, no período do Antigo testamento, ele se tornou um "Messias". E todos os reis judeus subsequentes, da casa de Davi, eram conhecidos pelo mesmo título. - Mesmo durante a ocupação romana da Judéia, o alto sacerdote nomeado por Roma era conhecido como "Sacerdote Messias" ou "Rei-Sacerdote" (Maccoby, 'Revolution in Judaea', p.99). Todavia, para os Zelotes e também para outros oponentes de Roma, este sacerdote marionete era, necessariamente, um falso Messias. Para eles, o verdadeiro Messias significava algo muito diferente: o legítimo Rei perdido, o descendente desconhecido da casa de Davi que libertaria seu povo da tirania romana.

Na época do nascimento de Jesus de Nazaré essa espera era intensa, tinha enorme importância, e como sabemos continuou após sua morte. - A revolta de Masada em 66 dC (sobre a qual pretendo voltar a falar) foi instigada pela propaganda feita pelos Zelotes, em nome de um Messias cujo advento seria iminente.

A esperança na vinda do Messias representava tanto o anseio de um povo sofrido por um grande e verdadeiro "Rei Ungido" que traria a de volta a união perdida e governaria com justiça, quanto pelo grande "O Libertador". - No inconsciente popular da época, o termo "Messias" trazia uma forte conotação política. Essa percepção quase que essencialmente mundana foi usada para Jesus, chamado "O Messias", no grego "Jesus, o Cristo"; que mais tarde se tornaria o "Jesus Cristo", - que, no imaginário popular acabou se distorcendo para nome próprio.


Não faltavam candidatos a Messias na época de Cristo

Judas Galileu foi crucificado por encabeçar uma revolta contra o pagamento de impostos, segundo o historiador Gabriele Cornelli, da Universidade Metodista de São Paulo. Não era para menos: os camponeses formavam 90% da população e eram semi-escravos. Do que produzissem, 60% virava tributo para sustentar as elites romana e judaica. Eventuais faltas de pagamento fizeram com que cidades fossem incendiadas e seus habitantes crucificados ou vendidos como escravos.

Tanta falta de perspectiva distanciava o povo dos sacerdotes. Abria-se espaço para as seitas chamadas apocalípticas, alicerçadas na esperança do cumprimento das profecias dos antigos Profetas, que apostavam que Deus viria para acertar as contas, pessoalmente ou na pessoa do Messias.

Outro homem, conhecido só como "O Egípcio", juntou uma horda de para marchar desarmada sobre Jerusalém, convencendo seus homens de que Deus os faria vencer. Foram massacrados. Mais eficientes eram os sicários, salteadores que se infiltravam nas multidões e esfaqueavam romanos e colaboradores do regime. O auge dessas rebeliões armadas foi entre 66 e 70 dC, com a primeira guerra entre judeus e romanos, mas elas continuaram mesmo depois disso. - O líder, na época aclamado como Messias, se chamava Bar Kokhba. Mas esse "messias" também fracassou...

Continua...


Fontes e bibliografia:
CHOURAQUI, Andre. "A Bíblia: O Evangelho Segundo Marcos". São Paulo: Imago, 1996. Sessões "Ler a Bíblia Hoje" - "Limiar Para um Novo Pacto" - "Limiar Para Marcos";
"Gnostic Documents of Scribid", revisado;
Superinteressante, edição 199 - revisado.



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quinta-feira, 3 de julho de 2008

O palco é montado...

A Enciclopédia das Religiões do Arte das artes, seguindo a cronologia histórica, neste momento abraça a santa e insana tarefa de abordar o seu próximo conteúdo: a história da nova religião que mudaria para sempre e como nenhuma outra os destinos da humanidade. Como sempre, começando pelo começo...


O povo que legou ao mundo a concepção do Deus Único e UNO espera pelo Salvador da humanidade

"Vinde Messias Libertador, de Israel e do mundo..."

O termo "Messias", do hebreu Masîah, Mashíach, Mashíyach ou Hammasiah, significa "O Consagrado" ou "O Ungido". A forma asquenazi é "Moshiach" e a forma aramaica é "Mesiha".

O Messias que o povo opresso e sofredor espera é o Escolhido. O Ungido que, um dia, segundo a Vontade do Eterno, iria surgir "com poder e grande glória" para acabar com a injustiça, a miséria, a dor e o sofrimento no mundo. Esta é a promessa do Todo Poderoso, esta é a esperança trazida pelos Profetas.

O que eles sabem é que o Salvador viria como homem, descendente do grande Rei David, que reconstruiria o Templo de Jerusalém, redimiria a nação de Israel e instauraria o Reino dos Céus, trazendo dessa forma a paz ao mundo.

Por séculos os judeus rezaram, em meio à sua história de sofrimentos, para que isso acontecesse logo, repetindo a oração/mantra "Maranata, Maranata..." - Vinde, Senhor!..

Mas isso parece que não estava funcionando, já que o sofrimento e as injustiças continuavam neste mundo, e cada vez piores, especialmente para o lado do povo eleito. Por razões que pareciam misteriosas, Deus não mostrava compaixão e empatia para com o seu povo, e não mandava o Messias tão esperado.


Tempo e Lugar

No primeiro século, a Palestina se via varrida por desavenças dinásticas, conflitos destruidores e guerras. Por volta de 63 aC, a terra encontrava-se mergulhada em grande turbulência, pronta para ser conquistada...

O povo judeu conheceu uma sequência ininterrupta de exílios e dominações estrangeiras: A dos babilônios, dos persas e dos helenos (587-323 aC), dos lígidas (323-198 aC), dos selêucidas (198-129 aC)... Depois, ao final do período de independência da Judéia dos asmoneus (129-63 aC) veio enfim a terrível dominação dos romanos, que naquele período parecia fatal para o povo e para a nação como um todo: a todos os espíritos e mentes parecia que o fim de Israel e do culto ao Deus UNO havia chegado...

Em torno de 25 anos antes do nascimento de Jesus, a Palestina caiu sob o exército de Pompeu e o terrível jugo romano foi imposto. Os domínios romanos, na época, eram muitíssimo extensos e, por isso, Roma estava preocupada demais com os seus próprios negócios para ali instalar o necessário aparelho administrativo e um governo direto e competente. Assim, criou uma linha de reis marionetes - a dos herodianos - para governar sob seu controle. Não eram judeus, mas árabes: Herodes Antípater (63 a 37 aC), - Herodes, o Grande (37 a 4 aC) - e Herodes Antipas.

O povo dominado por Roma podia manter a sua própria religião e seus costumes. Mas a autoridade final era Roma, e sempre reforçada pelo truculento exército romano. No ano 6, o país foi dividido em duas províncias: Judéia e Galiléia. Herodes Antipas tornou-se o rei da Galiléia. Mas a Judéia - capital espiritual e secular - ficou sujeita a norma romana direta, administrada por um procurador romano baseado em Cesarea. O regime era brutal e autocrático.

Logo ao assumir o controle direto da Judéia, Herodes fez com que mais de dois mil rebeldes fossem crucificados. O Templo de Jerusalém, extremamente sagrado para os judeus e objeto máximo de sua devoção, foi saqueado e destruído. Impostos pesadíssimos foram criados.

Esse estado de coisas não foi melhorado por Pôncio Pilatos, procurador da Judéia de 26 até 36 dC. Os registros históricos preservados indicam que Pilatos era um homem corrupto e cruel, que não só perpetuou, mas também intensificou os abusos de seu predecessor. Pelo menos à primeira vista, é surpreendente que os Evangelhos da Bíblia contenham poucas críticas a Roma e ao jugo romano.

Na época de Cristo, nada é mais contrário à verdade histórica do que imaginar que existia um meio hebraico homogêneo, na Judéia ou na Galiléia. Jamais o judaísmo foi a única religião da Palestina. A complexidade dos regimes e das dominações que passaram, deixaram suas marcas na região, superpondo-se múltiplas divindades pagãs a disputar os favores do povo; insurgindo-se unânimes, contra a inédita e totalmente incomum pretensão de YHWH de ser o único digno de adoração.

Os ídolos adorados nos templos, geralmente suntuosos, formavam uma legião: a Bíblia, as literaturas contemporâneas, os sítios arqueológicos. às vezes simples pedaços de cerâmica nos revelam os nomes destes deuses, algumas vezes parentes próximos do Elohims dos hebreus: El, Eloah, Ella, Allah, Baal, Adoni (e sua forma helenizada Adônis), Reshef, Mekal, o deus de Beit-Shean, cujo verdadeiro nome era talvez Zan, como o Zeus de Creta... Os deuses egípcios também não são esquecidos, aqueles cujo culto a filha do faraó havia introduzido oficialmente na corte do seu esposo Shelomo (o rei Salomão): Ra, Hórus, o deus-falcão, Bastet, a deusa-gata, Babum, o deus-cão... E ainda havia cultos aos soberanos divinizados e adorados em altares, com Ptá, "rei do universo", assistido por uma série inumerável de divindades de deuses-reis... Toda a idolatria e zoolatria que haviam provocado a ira e o desprezo dos profetas de Israel no passado, permaneciam vivas no espírito de um grande número de contemporâneos de Jesus.

Dionísio - Louvre, Paris

E além dos ídolos do Oriente próximo e do Egito, também as divindades adoradas no mundo helenístico e romano ganhavam importância crescente. Após a ocupação da região pelos exércitos gregos, depois romanos, os deuses adorados na Acrópole de Atenas e no Palatino de Toma tiveram "direito de cidadania" em Jerusalém. Para se ter uma idéia, Antíoco Epífanes introduziu a imagem de Dionísio no Templo de Jerusalém em 167 aC.

Essa profusão de deuses, cultos, templos, sacerdotes e liturgias favorece, como regra, a invasão de um sincretismo em uma sociedade profundamente heterogênea. O deus trácio-frígio Sabazios se confunde, no espírito de seus adoradores, com o próprio Dionísio, com Zeus ou mesmo com YHWH Sebaot(!). Reshef, o semita, é identificado a Apolo, o grego, enquanto as divindades femininas, Shtoret-Astarté, assessora de Baal Hamon, e Tanit, cananéia ou púnica, têm adoradores tão fervorosos que seus cultos degeneravam, frequentemente, em orgias.

No primeiro século, temos provas palpáveis da vitalidade ainda das religiões cananéias, asiáticas e greco-romanas sobre a terra que a Bíblia consagrava ao culto exclusivo do Deus UNO dos hebreus. E os adeptos dessas religiões não são somente pagãos, mas também hebreus preocupados em ter do seu lado não "apenas" o Deus dos deuses, mas, com Ele, todos os do panteão das outras nações.

Parece impossível compreender bem a história religiosa do primeiro século da nossa era sem levar em conta o sincretismo reinante entre o hebraísmo e o paganismo, que exerceram influências mútuas e, algumas vezes, um fascínio irresistível.

Nesse ambiente confuso e extremamente conturbado, não faltaram candidatos a Messias (a seguir)...


Fontes e bibliografia:
Chouraqui, Andre - "A Bíblia: O Evangelho Segundo Marcos" - Editora Imago – 1996 - Sessões: "Ler a Bíblia Hoje" - "Limiar Para um Novo Pacto" - "Limiar Para Marcos";
"Gnostic Documents of Scribid", revisado.


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Yoga Sutras de Patânjali

Patânjali: concepção artística



Tradução do Apendix F do livro "Yoga Philosophy of Patanjali ", de Swami Hariharananda Aranya, publicado por 'Calcutta University Press'


Yoga Sutras, a Coleção dos Aforismos Yogues


- Livro I -

Samadhi-Pada: Sobre o Êxtase ou Concentração

1. Iniciamos agora a exposição do Yoga.

2. Yoga é a restrição das modificações da mente.

3. Quando o observador permanece nele mesmo.

4. Em outros momentos, o observador parece assumir a forma da modificação mental.

5. Elas (as modificações) têm cinco variedades, das quais algumas são 'Klista' e o resto 'Aklista'.

6. (São elas) Pramana, Viparyaya, Vikalpa, sono sem sonhos e recordação.

7. Destas, a percepção, inferência e testemunho (comunicação verbal) constituem as Pramanas.

8. Viparyaya ou ilusão é o conhecimento falso formado a partir de um objeto como se ele fosse outro.

9. A modificação chamada 'Vikalpa' é baseada na cognição verbal, com relação a uma coisa que não existe. (É um tipo de conhecimento útil que advém do significado da palavra mas que não tem uma realidade correspondente).

10. Sono sem sonho é a modificação mental produzida pela condição de inércia como o estado de vacuidade ou negação (do despertar e do adormecer).

11. Recordação é a modificação mental causada pela reprodução da impressão prévia de um objeto, sem adicionar nada de outras fontes.

12. Pela prática e o desapego isso pode ser restringido.

13. O esforço para adquirir Sthiti ou um estado tranquilo da mente, desprovido de flutuações, é chamado prática.

14. Esta prática, quando continuada por um longo tempo, sem interrupção e com devoção, torna-se firme em seus fundamentos.

15. Quando a mente perde todos os desejos por objetos vistos ou descritos nas escrituras, ela adquire um estado de absoluto não desejo que é chamado desapego.

16. Indiferença para com as Gunas, ou princípios constituintes, alcançada através do conhecimento da natureza de Purusha, é chamado Paravaiaragya (desapego supremo).

17. Quando a concentração é conseguida com a ajuda de Vitarka, Vichara, Ananda e Asmita, é chamada Samprajnata-samadhi.

18. Asamprajnata-samadhi é o outro tipo de Samadhi que surge com a prática constante de Para-vairagya, que leva ao desaparecimento de todas as flutuações da mente, permanecendo apenas as impressões latentes.

19. Enquanto no caso de Videhas ou dos desincarnados e de Prakrtilayas ou dos que subsistem em seus constituintes elementares, é causada por ignorância que resulta em existência objetiva.

20. Outros (que seguem o caminho do esforço prescrito) adotam os meios da fé reverencial, energia, recordação repetida, concentração e conhecimento real (e assim alcançam Asamprajnata-samadhi).

21. Yogues com intenso ardor alcançam concentração e seus resultados, rapidamente.

22. De acordo com a aplicação do método, vagarosa, média ou rápida, mesmo entre os yogues que têm intenso ardor, existem diferenças.

23. Através de devoção especial a Isvara também (concentração torna-se eminente).

24. Isvara é um Purusha em particular, não afetado por aflição, ação, resultado das ações ou as impressões latentes que advém delas.

25. Nele, a semente da onisciência alcançou seu desenvolvimento maior, não havendo nada mais a transcender.

26. Ele é o professor dos primeiros professores porque com ele não existe limite de tempo.

27. A palavra sagrada que o designa é Pranava ou a sílaba OM.

28. Yogues a repetem e contemplam seu significado.

29. Disso vem a realização do ser individual e os obstáculos são resolvidos.

30. Doença, incompetência, dúvida, desilusão, pregriça, não- abstinência, concepção errônea, não-alcance de qualquer estado yogue ou instabilidade para permanecer num estado yogue, estas distrações da mente são os impedimentos.

31. Tristeza, falta de entusiasmo, inquietação, inspiração e expiração advém de distrações prévias.

32. Para restringir as distrações, a prática da concentração em um princípio único; deve ser feita.
33. A mente torna-se purificada pelo cultivo dos sentimentos de amizade, compaixão, boa-vontade e indiferença respectivamente a criaturas felizes, miseráveis, virtuosas ou pecaminosas.

34. Pela expiração e restrição da respiração, também a mente é acalmada.

35. O desenvolvimento de percepção objetiva chamada Visayavati também traz tranquilidade mental.

36. Ou pela percepção que é livre de tristeza e é radiante (estabilidade mental também é produzida).

37. Ou (contemplando) uma mente que é livre de desejos (a mente do devoto torna-se estável).

38. Ou tomando como objeto de meditação as imagens dos sonhos ou dos devaneios (a mente do yogue torna-se estável).

39. Ou contemplando qualquer coisa que o indivíduo queira (a mente torna-se estável).

40. Quando a mente desenvolve o poder de estabilizar-se nos objetos de menor tamanho, assim como nos maiores, então a mente está sobre controle.

41. Quando as flutuações da mente são enfraquecidas, a mente aparenta tomar as formas do objeto da meditação - seja ele o que conhece (Grahita), o instrumento de cognição (Grahana) ou o objeto conhecido (Grahya) - como uma jóia transparente, e esta identificação é chamada Samapatti ou absorção.

42. A absorção na qual existe confusão entre a palavra, seu significado (isto é, o objeto) e seu conhecimento, é conhecida como Savitarka Samapatti.

43. Quando a memória é purificada, a mente parece estar desprovida de sua própria natureza (isto é, da consciência refletiva) e somente o objeto (o qual está contemplando) permanece iluminado. Este tipo de abs orção é chamada Nirvitarka Samapatti.

44. Através disso, as absorções Savichara e Nirvichara, cujos objetos são sutis, são também explicadas.

45. Sutileza pertencente aos objetos, culmina em A-linga ou o imanifesto.

46. Estes são os únicos tipos de concentração objetiva.

47. Ganhando proficiência em Nirvichara, pureza nos intrumentos internos de cognição é desenvolvida.

48. O conhecimento ganho neste estado é chamado Rtambhara (Preenchido de Verdade).

49 Este conhecimento é diferente daquele derivado do testimunho ou da inferência, porque relaciona-se às particularidades dos objetos.

50. A impressão latente nascida de tal conhecimento é oposta à formação de outras impressões latentes.

51. Pela restrição disso também (por conta da eliminação das impressões latentes de Samprajnana), acontece a concentração sem-objeto, através da supressão de todas as modificações.


- Livro II -

Sadahana-Pada: Sobre a Via ou Prática

1. Tapas (austeridade ou vigorosa auto-disciplina - mental, moral e física), Svadhyaya (repetição de Mantras sagrados ou o estudo da literatura sagrada) e Isvara-pranidhana (completa rendição a Deus) são Kriya Yoga (Yoga em forma de ação).

2. Este Kriya-Yoga (deve ser praticado) para gerar o Samadhi e minimizar as Klesas.

3. Avidya (concepção errônea sobre a natureza real das coisas), Asmita (egoismo), Raga (apego), Dvesa (aversão) e Abhinivesa (medo da morte) são as cinco Klesas (aflições).

4. Avidya é o campo de crescimento das outras, sejam elas dormentes, atenuadas, interrompidas ou ativas.

5. Avidya consiste em considerar os objetos impermanentes como permanentes, impuros como puros; miséria como felicidade e o não-ser como ser.

6. Asmita é equivalente à identificação de Purusha ou Consciência Pura com Buddhi.

7. Apego é esta (modificação) que segue a lembrança do prazer.

8. Aversão é esta (modificação) que resulta da miséria.

9. Tanto no ignorante quanto no culto, o medo, firmemente estabelecido, da aniquilação, é a aflição chamada Abhinivesa.

10, As sutis klesas são abandonadas (isto é, destruidas) cessando-se a produtividade (isto é, desaparecendo) da mente.

11. Seus meios de subsistência ou seus estados densos são evitáveis pela meditação.

12. Karmasaya, ou a impressão latente da ação baseada nas aflições, torna-se ativa nessa vida ou na vida por vir.

13. Na medida em que as Klesas permanecem na raiz, karmasaya produz três consequências nas formas de nascimento, tempo de vida e experiência.

14. Por razão da virtude e do vício, essas (nascimento, período e experiência) produzem experiências prazerosas ou dolorosas.

15. A pessoa que discrimina, apreende (por análise e antecipação) todos os objetos mundanos como marcados pela tristeza, porque eles causam sofrimento como consequência, tanto nas suas experiências aflitivas, quanto em suas latências e também por causa da natureza contrária das Gunas (que produzem mudanças a todo momento).

16. (É por isso que) a dor que está por vir deve ser evitada.

17. Unindo o observador ou sujeito com o observado ou objeto: é a causa disso que deve ser evitado.

18. O objeto ou o que é passível de conhecimento é por natureza sensível, mutável e inerte. Existe na forma dos elementos e dos órgãos, e servem ao propósito da experiência e emancipação.

19. Diversificada (Visesa), não-diversificada (Avisesa), indicador-somente (Linga-matra), e aquilo que não tem indicador (Alinga), são os estados das Gunas.

20. O Observador é o conhecedor absoluto. Apesar de puro, modificações (de Buddhi) são testemunhadas por ele como um espectador.

21. Servir como um campo objetivo para Purusha, é a essencia ou natureza dos objetos conhecíveis.

22. Apesar de deixar de existir em relação àquele que preencheu seu propósito, os objetos conhecíveis não deixam de existir por serem úteis para outros.

23. Associação é o meio de realização da verdadeira natureza do objeto do Conhecedor e do Possuidor, o Conhecedor (isto é, o tipo de associação que contribui para a realização do observador e do observado é esta conexão).

24. (A associação tem) Avidya ou ignorância como sua causa.

25. A ausência da associação que advém da falta dela (avidya) é liberdade, e este é o estado de liberação do observador.

26. Conhecimento discriminativo, claro, distinto (desimpedido) é o meio para a liberação.

27. Sete tipos de insight vêm ao que desenvolveu a iluminação discriminativa.

28. Através da prática dos diferentes acessórios do Yoga, quando as impurezas são destruidas, advém a iluminação, culminando na iluminação discriminativa.

29. Yama (restrição), Niyama (observância), Asana (postura), Pranayama (regulação da respiração), Pratiahara (restrição dos sentidos), Dharana (fixação), Dhyana (meditaç& atilde;o) e Samadhi (perfeita concentração), são os oito meios de se alcançar o yoga.

30. Ahimsa (não-violência), Satya (verdade), Asteya (abster-se do roubo), Brahmacharya (continência) e Aparigraha (abster-se da avareza), são as cinco Yamas (formas de restrição).

31. Estas (as restrições), no entanto, são um grande voto quando tornam-se universais, não sendo restringidas por qualquer consideração de classe, lugar, tempo ou conceito de dever.

32. Pureza, contentamento, austeridade (disciplina mental e física), svadhyaya (estudo das escrituras e recitação de mantras) e devoção a Isvara, são as Niyamas (observâncias).

33. Quando estas restrições e observâncias são inibidas por pensamentos perversos, o oposto deve ser pensado.

34. Ações que advém de pensamentos perversos, como injúria etc, são realizadas pela própria pessoa, por outras ou aprovadas; são realizadas tanto pela raiva, quanto pela cobiça ou pela desilusão; e podem ser fracas moderadas ou intensas. Saber que são causadas por uma miséria e ignorância infinitas, é um pensamento-contrário.

35. Na medida em que o yogue se torna estabelecido na não-injúria, todos os seres que se aproximam (do yogue) deixam de ser hostis.

36. Quando a maneira de ser é verdadeira, as palavras (do yogue) adquirem o poder de fazerem-se frutíferas.

37. Quando o não-roubo é estabelecido, todas as jóias se apresentam.

38. Quando continência é estabelecida, Virya é adquirida.

39. Atingindo perfeição nas Yamas, advém conhecimento da existência passada e futura.

40. Da prática da purificação, desapego com relação ao próprio corpo é desenvolvido, e portanto o desapego se estende a outros corpos.

41. Purificação da mente, setimentos agradáveis, concentração, subjugação dos sentidos e abilidade para a auto-realização são adquiridas.

42. A partir do contentamento, felicidade transcendente é ganha.

43. Pensamentos de destruição das impurezas, prática de austeridades gera perfeição do corpo e dos órgãos.

44. Do estudo e repetição de Mantras, comunhão com a divindade desejada é estabelecida.

45. Da devoção a Deus, Samadhi é alcançado.

46. Uma forma agradável e pausada (de estar) é Asana (postura yogue).

47. Pelo relaxamento do esforço e meditação no infinito (asanas são aperfeiçoadas).

48. Disso vem a imunidade com relação a Dvandvas ou condições opostas.

49. Esta (asana) tendo sido aperfeiçoada, regulação do fluxo da inspiração e expiração é pranayama (controle da respiração).

50. Este (pranayama) tem uma operação externa (Vahya-vrtti), operação interna (Abhyantara-vrtti) e supressão (Stambha- vrtti). Isto ainda, quando observado de acordo com espaço, tempo e número torna-se lo ngo e sutil.

51. O quarto pranyama trnscende operações internas e externas.

52. Através disso, o véu sobre a manifestação (do conhecimento) é rarefeito.

53, (Então) a mente adquire condições para Dharana.

54. Quando separados de seus objetos correspondentes, os órgãos seguem a natureza da mente (no momento), isto é chamado Pratyahara (restringir os órgãos).

55. Isto gera supremo controle dos órgãos.


- Livro III -

Vibhuti-Pada: Poderes Sobrenaturais


1. Dharana é a fixação da mente (Chitta) em um ponto particular no espaço.

2. Nela (Dharana) o fluxo contínuo de modificação mental similar é chamado Dhyana ou meditação.

3. Quando o objeto da meditação sozinho brilha na mente, como que desprovido até mesmo do pensamento do'Eu' (que está meditando), este estado é chamado Samadhi ou concentração.

4. Os três juntos no mesmo objeto é chamado Samyama.

5. Dominando isto (Samyama) a luz do conhecimento (Prajna) emerge.

6. Ela (Samyama) deve ser aplicada aos estágios (da prática).

7. Estas três práticas são mais associadas do que as mencionadas anteriormente.

8. Isso também (deve ser visto) como externo com relação a Nirvija ou concentração sem semente.

9. Supressão das latências das flutuações e aparecimento das latências do estado de pausa, acontecendo a cada momento de ausência do estado de pausa na mesma mente, é a mudança do estado de pausa da mente.

10. Continuidade da mente tranquila (no estado de pausa) é assegurado por suas impressões latentes.

11. Diminuição da atenção voltada para tudo e desenvolvimento da concentração (onepointedness) é chamado Samadhi-parinama, ou mutação da mente concentrada.

12. Lá (em Samadhi) ainda (no estado de concentração) as modificações passadas e presentes sendo similares é Ekagrata- parinama, ou mutação do estado estável da mente.

13. Assim explica-se as três mudanças, ou seja, dos atributos essenciais ou características, das características temporais, e dos estados das Bhutas e das Indriyas (isto é, todos os fenômenos conhecíveis).

14. Aquilo que continua a sua existência, através das várias características, nomeadamente: o inativo, isto é, passado; o emergente, isto é, presente; o imanifesto, (mas que permanece como força potente), isto é, futuro, é o substrato (ou objeto caracterizado).

15. Mudança de sequência (das características) é a causa das diferênças mutativas.

16. Conhecimento do passado e do futuro pode advir de Samyama sobre as três Parinamas (mudanças).

17. Palavra, objeto implicado, e idéia correspondente, produz uma impressão unificada. Se Samyama for praticada em cada um separadamente, conhecimento do significado dos sons produzidos por todos os seres, pode ser adquirido.

18 Pela realização das impressões latentes, conhecimento dos nascimentos prévios é adquirido.

19. (Pela prática de Samyama) em noções, conhecimento de outras mentes é desenvolvido.

20. O suporte (ou base) da noção não se torna conhecido, porque este não é objeto de observação (do yogue).

21. Quando a capacidade de percepção do corpo é suprimida pela prática de Samyama em seu caracter visual, desaparecimento do corpo é efetivado, por ficar ele além da esferea de percepção do olho.

22. Karma pode ser rápido ou lento em sua frutificação. Pela prática de Samyama no Karma, conhecimento da morte pode ser adquirido.

23. Através de Samyama sobre a amizade, e outras virtudes similares, obtem-se força.

24. (Pela prática de Samyama) na força (física), a força de elefantes pode ser adquirida, e mais.

25. Aplicando a luz efulgente da percepção superior (Jyotismati), conhecimento dos objetos sutis, ou coisas invisíveis ou colocadas a grande distância, pode ser adquirido.

26. (Praticando Samyama) sobre o sol (o ponto no corpo conhecido como a entrada solar), o conhecimento das regiões cósmicas é adquirido.

27. (Pela prática de Samyama) sobre a lua (a entrada lunar no corpo), conhecimento do arranjo entre as estrelas é adquirido.

28. (Pela prática de Samyama) na estrela Polar, o movimento das estrelas é conhecido.

29. (Pela prática de Samyama) no plexo do umbigo, advém conhecimento da composição do corpo.

30. (Praticando Samyama) na traquéia, fome e sede são restringidas.

31. Calma é alcançada por Samyama no tubo bronquial.

32. (Pela prática de Samyama) na luz coronal, Siddhas podem ser vistos.

33. Do conhecimento denominado Pratibha (intuição), tudo torna-se conhecido.

34. (Pela prática de Samyama) no coração, conhecimento da mente é adquirido.

35. Experiência (de prazer ou dor), vem da concepção que não distingue entre duas entidades extremamente diferentes: Buddhisattva e Purusha. Tal experiência existe para um outro (isto é, Purusha). Esta é a razão de através de Samyama em Purusha (que observa todas as experências e também sua completa cessassão) conhecimento com relação a Purusha ser adquirido.

36. Portanto (do conhecimento de Purusha), advém Pratibha (intuição), Sravana (poder sobrenatural de ouvir), Vedana (poder sobrenatural de tocar), Adarsa (poder sobrenatural de ver), Asvada (poder sobrenatural gustativo) e Varta (p oder sobrenatural de cheirar).

37. Eles (estes poderes) são impedimentos ao Samadhi, mas são (vistos como) aquisições no estado normal-mutante da mente.

38. Quando as causas do aprisionamento são enfraquecidas, e os movimentos da mente conhecidos, a mente pode entrar em outro corpo.

39. Conquistando a força vital (da vida) chamada Udana, a possibilidade de imersão em água ou lama e envolvimentos dolorosos, são evitados, e a saida do corpo pela vontade é assegurada.

40. Conquistando a força vital chamada Samana, efulgência é adquirida.

41. Através de Samyama na relação entre Akasa e o poder de ouvir, capacidade divina de ouvir é adquirida.

42. Através de Samyama na relação entre o corpo e Akasa, e pela concentração na leveza do algodão ou da lã, passagem através do céu é assegurada.

43. Quando a concepção inimaginável pode ser mantida fora, isto é, não conectada com o corpo, é chamada Mahavideha ou a grande desencarnação. Através de Samyama nisso, o véu que cobre a iluminação (de Buddhisattva) é removido.

44. Através de Samyama no denso, no caracter essencial, no sutil, a inerência e a objetividade, que são as cinco formas de Bhutas ou elementos, maestria sobre Bhutas é conseguida.

45. Então desenvolve-se o poder de minimização assim como outras aquisições corpóreas. Deixa de existir também, resistência a suas características.

46. Perfeição do corpo consiste em beleza, graça, força e firmeza adamantinas.

47. Através de Samyama na receptividade, caracter essencial, sentido de Eu, qualidade inerente e objetividade dos cinco sentidos, maestria sobre eles é obtida.

48. Então advém poderes de movimentos rápidos da mente, ação dos órgãos independente do corpo e maestria sobre Pradhana, a causa primordial.

49. Para aquele estabelecido no discernimento entre Buddhi e Purusha, vem a supremacia sobre todos os seres assim como onisciência.

50. Através da renunciação mesmo disto (conquista de Visoka), vem a liberação em consequência da destruição das sementes do mal.

51. Quando convidado pelos seres celestiais, este convite não deve ser aceito, nem deve ser causa de vaidade, pois envolve a possibilidade de consequências indesejáveis.

52. Conhecimento diferenciado do Ser e do não-Ser advém da prática de Samyama no momento e sua sequência.

53. Quando espécie, caracter temporal e posição de duas coisas diferentes são indiscerníveis, elas aparentam iguais, no entanto podem ser diferenciadas (por este conhecimento).

54. O conhecimento do discernimento é Taraka ou intuitivo, compreende todas as coisas e todo o tempo, e não tem sequência.

55. (Se o discernimento discriminativo secundário é adquirido ou não) quando igualdade é estabelecida entre Buddhisattva e Purusha na sua pureza, liberação acontece.


- Livro IV -

Kaivalya-Pada: Sobre o Ser-nEle-Mesmo ou Liberação


1. Poderes sobrenaturais advém com o nascimento, ou são consequidos através de ervas, encantamentos, austeridades ou concentração.

2. (A mutação do corpo e dos órgãos para aquele nascido em espécie diferente) acontece através do preenchimento de sua natureza inata.

3. Causas não colocam a natureza em movimento, somente a remoção de obstáculos acontece através delas. Isso é como um fazendeiro quebrando a barreira para permitir o fluxo de água. (Os obstáculos sendo removidos pelas causas, a natureza penetra por ela mesma).

4. Todas as mentes criadas são construidas a partir do sentido-de-Eu.

5. Uma mente (principal) direciona as várias mentes criadas na variedade de suas atividades.

6. Delas (mentes com poderes sobrenaturais) as obtidas através da meditação não têm impressões subliminares.

7. As ações do Yogui não são nem brancas, nem pretas, enquanto as ações dos outros são de três tipos.

8. Então (das três variedades de karma) manifestam-se as impressões subconscientes apropriadas às suas consequências.

9. Em função da semelhança entre a memória e suas impressões latentes correspondentes, as impressões subconscientes dos sentimentos aparecem simultaneamente, mesmo quando são separadas por nascimento, es paço e tempo.

10. Desejo de bem-estar sendo eterno, segue-se que a impressão subconsciente da qual ele advém deve ser sem começo.

11. Em função de serem mantidas juntas pela causa, resultado e objetos suportes, quando isso se ausenta, as Vasanas desaparecem.

12. O passado e o futuro são em realidade, presente, em suas formas fundamentais, tendo diferenças apenas nas características das formas tomadas em tempos diferentes.

13. Características, que são presentes em todos os tempos, são manifestas e sutis, e são compostas das três Gunas.

14. Em função da mutação coordenada das três Gunas, um objeto aparece como uma unidade.

15. Apesar da semelhança entre os objetos, em função de haverem mentes separadas, eles (os objetos e seu conhecimento) seguem caminhos diferentes, essa é a razão deles serem inteiramente diferentes.

16. Objeto não é dependente de uma mente, porque se assim fosse, o que aconteceria quando ele não fosse mais cognizado por esta mente?

17, Objetos externos são conhecidos ou desconhecidos para a mente na medida em que colorem a mente.

18. Em função da imutabilidade de Purusha, que é mestre da mente, as modificações da mente são sempre conhecidas ou manifestas.

19. Ela (a mente) não é auto-iluminada, sendo um objeto (conhecível).

20. Além disso, ambos (a mente e seus objetos) não podem ser cognizados
simultaneamente.

21. Se a mente fosse iluminada por uma outra mente, então haveria repetição ad infinitum de mentes iluminadas e inter-mistura de memória.

22. (Portanto) intransmissível, a Consciência metempirica, refletindo sobre Buddhi torna-se a causa da consciência de Buddhi.

23. A matéria mental sendo afetada pelo observador e o observado, torna-se toda-compreensiva.

24. Ela (a mente) apesar de marcada pelas inimeráveis impressões subconscientes, existe para um outro, desde que age conjuntamente.

25. Para aquele que conheceu a entidade distinta, isto é Purusha, a inquirição sobre a natureza do próprio Ser cessa.

26. (Então) a mente se inclina ao conhecimento discriminativo e naturalmente gravita em direção ao estado de liberação.

27. Através de suas ramificações (isto é, quebras no conhecimento discriminativo) surgem outras flutuações da mente devido às impressões latentes (residuais).

28. Têm-se dito que sua remoção (isto é, das flutuações) segue o mesmo processo da remoção das aflições.

29. Quando o indivíduo torna-se desinteressado mesmo pela onisciência, ele adquiri iluminação discriminativa perpétua de onde vem a concentração conhecida como Dharmamegha (nuvem que despeja virtude).

30. A partir disso, aflições e ações cessam.

31. Então, em função da infinitude do conhecimento, livre da cobertura das impurezas, os objetos conhecíveis aparentam poucos.

32. Depois de sua emergência (nuvem que despeja virtude) as Gunas tendo cumprido seu propósito, a sequência de suas mutações cessam.

33. O que pertence aos momentos e é indicado pelo término de uma mutação particular, é sequência.

34. O estado do ser-nele-mesmo, ou liberação, realiza-se quando as Gunas (tendo promovido experiência e liberação para Purusha) não têm mais propósito a cumprir e desaparecem em sua substância causal. Em outras palavras, é Consciência absoluta estabelecida em seu próprio Ser.



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